Indicação de Leitura

RESENHA SOBRE A OBRA DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHE

Chimamanda Ngozi Adichie

Por Luciana Paula da Silva de Oliveira (professora de Sociologia no CEP).

Adiche é uma escritora nigeriana e escreveu Hibisco Roxo (2005), Meio Sol Amarelo (2006) e Americanah (2013), ganhadora de diversos prêmios é considerada uma das mais importantes autoras de língua inglesa e está na lista dos vinte autores mais influentes com menos de 40 anos.
Começou a escrever enquanto fazia faculdade nos EUA, e seus professores achavam que seus textos não eram suficientemente africanos. Suas experiências enquanto morava entre os americanos, onde era vista como um ser exótico, são o combustível para uma análise ácida e certeira sobre as relações inter-raciais e internacionais.
Em Hibisco Roxo conta, num tom de intimidade feminina, a história de uma menina nigeriana e sua família de classe média. No desenrolar da trama entra-se em contato com a cultura local, suas comidas e costumes, bem como o impacto que a colonização europeia trouxe à população. Essa família procura se aproximar da “civilização” evitando falar o idioma ancestral (que é aprendido e falado por todos) e utilizar-se da religião tradicional de sua etnia (preservada entre os mais velhos e os mais pobres), preferindo, ao invés disso, o inglês e o catolicismo.
Ao fazer isto, laços entre o chefe da família e seu pai são rompidos, a submissão extrema da esposa ao patriarcalismo católico leva às tragédias que ilustram bem a construção e a reconstrução da identidade cultural nigeriana. Os personagens são cheios de humanidade, é possível se colocar no lugar deles e sentir suas dúvidas e suas dores, e sabe-los nigerianos é ter uma sensação de ter vivido lá, um calor abafado, casas com jardins e hibiscos, terra batida…
Já em Meio Sol Amarelo Adiche mistura ficção com realidade ao narrar o processo de independência fracassado de Biafra, uma região da Nigéria habitada pela etnia ibo, com forte presença de petróleo. A violência e a rivalidade entre as etnias desmentem uma certa homogeneidade racial e cultural que muitos imaginam existir em toda África.
A personagem principal é uma intelectual nigeriana que estudou fora do país e volta à sua terra natal, vive uma história de amor com um professor universitário em meio a uma guerra civil que os fazem enfrentar a realidade dura das pequenas vilas do interior do país. É um texto intenso e emocional, em que o leitor torna-se um ibo e sente a humilhação dos que são civis numa guerra em que não podem vencer.
Seja qual for o livro a maior qualidade da narrativa de Adiche é a sua impressionante capacidade de fazer com que seus leitores sintam-se um pouco nigerianos ao lê-la.

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